
Terremotos na Venezuela deixam mais de 1.400 mortos
As equipes brasileiras enviadas para auxiliar no resgate das vítimas dos terremotos na Venezuela concentram os esforços na busca por sobreviventes, enquanto o número de mortos no país subiu para 1.450 .
A operação reúne cerca de 130 agentes brasileiros, que estão no país desde sexta-feira (26) e atuam em conjunto com equipes internacionais na definição das áreas prioritárias de busca.
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As primeiras horas após um desastre são decisivas para salvar vidas . Por isso, a missão brasileira conta com bombeiros, cães farejadores e técnicos da Anatel, que ajudam a localizar sinais de celulares de possíveis vítimas sob os escombros.
Segundo Armin Braun, chefe da missão brasileira na Venezuela, embora as primeiras 72 horas sejam consideradas o período mais crítico das operações de busca e salvamento, ainda é possível encontrar sobreviventes dias após o desastre .
"Já acompanhamos casos de pessoas resgatadas após uma semana ou até dez dias. Se houver acesso à água, um espaço de sobrevivência sob os escombros ou boas condições físicas, as chances aumentam", afirmou.
"A prioridade é encontrar pessoas com vida nos escombros . Sempre que há algum indício de sobreviventes, iniciamos um trabalho cuidadoso para acessar a área, estabilizar as estruturas e realizar o resgate com segurança", disse Braun em entrevista à GloboNews.
Além das buscas, o Brasil instalou um hospital de campanha para atender vítimas , especialmente após o colapso de unidades de saúde na região afetada, e também presta assistência humanitária em outras frentes.
Braun explicou que toda a operação é coordenada com o governo venezuelano, a Embaixada do Brasil e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), responsáveis por definir as prioridades de atuação.
Segundo ele, a resposta ao desastre ocorrerá em etapas: após a fase de busca e salvamento, os esforços serão voltados ao atendimento das vítimas, ao restabelecimento dos serviços essenciais e, por fim, à reconstrução das áreas atingidas.
"Pela devastação que vimos, serão necessários alguns meses para restabelecer os serviços essenciais. Já a reconstrução da infraestrutura poderá levar um ano ou mais", avaliou.
Aviões da FAB decolam rumo à Venezuela; aeronaves levam um hospital de campanha e equipes médicas. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional
Dois brasileiros estão entre as vítimas
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, país que tem fronteira com a Venezuela, informou que dois cidadãos do país — um homem e uma mulher — morreram na tragédia.
O governo anunciou que presta assistência consular aos familiares.
Segundo familiares, uma das vítimas é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Distrito Federal. Ela vivia havia cerca de dois meses na Venezuela e estava em La Guaira , uma das áreas mais atingidas pelos tremores.
A outra vítima brasileira é o pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. De acordo com a família, ele foi atingido pelo desabamento de uma parede enquanto tentava se proteger com a esposa . Os dois chegaram a ser resgatados, mas Romildo não resistiu.
Terremotos devastadores na Venezuela
Na noite de quarta-feira (24), a Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2, registrados com menos de um minuto de diferença . Os tremores devastaram áreas do país, provocando o desabamento de prédios e casas em Caracas e em outras cidades.
Nas horas seguintes, pelo menos 20 réplicas foram registradas, segundo o governo venezuelano. Os abalos secundários também foram sentidos em cidades do Norte do Brasil.
➡️ Réplicas são tremores de menor intensidade que ocorrem após um terremoto principal.
O balanço mais recente do governo venezuelano, divulgado neste domingo (28), aponta 1.450 mortos , mais de 3.000 feridos e 3.100 pessoas desabrigadas. Os números foram apresentados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, à imprensa estatal.
Número de mortos após terremotos na Venezuela sobe para 1.430 e buscas entram em fase crítica. — Foto: Reprodução/Jornal Nacional
Organismos internacionais, no entanto, avaliam que o impacto do desastre pode ser ainda maior. A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimam que o número de vítimas deve aumentar devido à intensidade dos terremotos, aos danos causados à infraestrutura e à alta concentração populacional das áreas atingidas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, calcula que cerca de 6,8 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos terremotos, sendo aproximadamente 2 milhões apenas na região de Caracas.
Já o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas , enquanto equipes de resgate de diversos países seguem nas buscas por sobreviventes sob os escombros.
Técnicos procuram sinais de celulares nos escombros na Venezuela: "prioridade é encontrar pessoas com vida"