Entre esperança e orgulho, torcedores japoneses falam da expectativa para o jogo contra o Brasil na Copa

Entre esperança e orgulho, torcedores japoneses falam da expectativa para o jogo contra o Brasil na Copa

Esporte

Entre esperança e orgulho, torcedores japoneses falam da expectativa para o jogo contra o Brasil na Copa

Pela segunda vez na história, os caminhos de Brasil e Japão voltam a se cruzar em uma Copa do Mundo

Por Renan Tolentino, da RFI em Paris

Os japoneses têm muitos motivos para se orgulharem de sua seleção até aqui. Classificados em segundo no grupo F, com cinco pontos, os Samurais Azuis ainda não perderam nesta Copa do Mundo. Empataram na estreia com a Holanda em 2 a 2, depois golearam a Tunísia por 4 a 0, e encerraram a fase de grupos com um empate em 1 a 1 com a Suécia. Desempenho que enche a torcida de esperança e mostra a força desta geração de jogadores, considerada uma das melhores da história da seleção nipônica.

“O Japão tem jogado bem até agora. O trabalho em equipe tem sido excelente e eles têm se mostrado um time muito sólido no geral”, resume Megumi, de 43 anos.

“Eles estão fazendo uma boa Copa até agora e têm feito um excelente trabalho em equipe, incluindo os reservas. Eles não estão satisfeitos com todos os resultados, por isso estão encarando cada jogo de diferentes maneiras”, opina a jovem Riko, de 25.

Akira, de 29 anos, reconhece a qualidade do elenco e da campanha japonesa até a fase de grupos, mas acredita que ainda está distante do nível das seleções favoritas a conquistarem a Copa do Mundo 2026.

“Acho que o Japão é forte quando tudo se encaixa, pois os jogadores são talentosos e o técnico tem uma visão tática genial. Mas, infelizmente, não os vejo conquistando o Mundial, porque os jogadores japoneses são muito passivos e tendem a apostar em contra-ataques em vez de tomarem a iniciativa do jogo”.

“Não era o adversário que eu esperava enfrentar”

O Brasil também chega invicto para o confronto com o Japão. A Seleção avançou à segunda fase como líder do grupo C, com sete pontos. Na última rodada, venceu a Escócia por 3 a 0, com grande atuação de Vini Jr., resultado que eleva a confiança no elenco e desperta o temor nos próximos oponentes.

“O Brasil não era o adversário que eu esperava enfrentar”, brinca Megumi. “É o favorito, mas o Japão definitivamente tem chances. Se jogarem como um time e aproveitarem as oportunidades, podem vencer o Brasil”, completa.

Além da Seleção Canarinho, Neymar é uma atração à parte para a torcida japonesa. Após ficar de fora dos dois primeiros jogos, se recuperando de uma lesão, o camisa 10 estreou na Copa contra a Escócia, atuando nos 15 minutos finais, e está à disposição do técnico Carlo Ancelotti contra o Japão.

“Embora eu não entenda muito de futebol, sempre tive a impressão de que o Brasil é uma potência no esporte, e a presença de Neymar é uma grande parte disso”, comenta Akira.

Na primeira e única vez que se enfrentaram em Mundiais deu Brasil, há 20 anos. A Seleção venceu por 4 a 1 pela última rodada da fase de grupos na Copa da Alemanha, em 2006.

“Japão continua em ascensão”

O Japão estreou em Copas em 1998, na França. De lá pra cá participou de todas as oito edições. O mais longe que conseguiu chegar foi nas oitavas de final. Foi assim na última em 2022, no Catar, em 2018, na Rússia, em 2010, na África do Sul, e em 2002, quando sediou a competição junto à Coreia do Sul.

“Bem, o Japão continua em ascensão. Eles estão se saindo muito bem em comparação com a última vez (2022). O time tem uma boa mentalidade e trabalho em equipe, capazes de superar o Brasil”, avalia Chika, de 36 anos, que aposta no goleiro Zion Suzuki como uma das armas para parar o ataque brasileiro. “Ele é bom, joga no Parma da Itália”.

Desta vez, para igualar o feito e manter vivo o sonho de ir ainda mais longe na Copa, os Samurais Azuis precisarão superar o Brasil pelos 16 avos de final, nova fase adicionada ao mata-mata nesta primeira edição com 48 seleções.

Apesar de ser uma tarefa difícil, os torcedores confiam em uma “zebra japonesa”. Para isso, se apegam no resultado do último jogo entre as duas seleções, em amistoso disputado em outubro de 2025, quando o Japão venceu a Seleção Canarinho por 3 a 2 de virada.

“Quero que eles vençam, mas a seleção japonesa tem muitos jogadores lesionados, então é difícil prever o que vai acontecer. Se já venceram uma vez, é mais fácil imaginar que vençam novamente”, confia Akira.

“Minha impressão é que o Brasil seria um dos adversários mais difíceis que o Japão poderia enfrentar. Ainda assim, o futebol pode ser imprevisível, e o Japão poderia dar trabalho se mantiver o time compacto e aproveitar bem as oportunidades que tiver”, acrescenta Totsumo Fujimoto, de 74.

Apesar da equipe nipônica não ter a mesma força ofensiva, alguns torcedores apostam justamente na defesa, confiando que os Samurais Azuis conseguirão segurar o empate e levar a decisão para as penalidades.

“Acho que vai terminar empatado. O Japão também tem chances de vencer (nos pênaltis), mesmo que o Brasil seja forte. Na outra partida, ganhamos, então se tudo correr bem, temos chances de ganhar desta vez também”, conclui Riko.

Brasil e Japão se enfrentam na segunda-feira (26) às 14h (de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, no Texas, pela segunda fase.

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