Irã anuncia exigências em memorando de entendimento com EUA; veja lista

Irã anuncia exigências em memorando de entendimento com EUA; veja lista — World News | Versia.media

EUA e Irã firmam pacto de paz, confirmam Trump e premiê paquistanês

O Irã submeteu um conjunto de 14 exigências para progredir rumo a um pacto de paz com os Estados Unidos, conforme divulgado pela agência estatal Mehr. Entre as condições estão a cessação imediata dos confrontos, o compromisso americano de não intervir em questões domésticas, a retirada das tropas dos EUA da região, o fim das sanções ao petróleo iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz dentro de 30 dias.

Os Estados Unidos e o Irã selaram um acordo de paz, conforme informações corroboradas por Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, na noite de domingo (14). O conflito entre as duas nações perdura há quase quatro meses.

Teerã ratificou a informação, porém estabeleceu condições que abrangem diversos aspectos das relações bilaterais. Confira a lista:

Cessação definitiva e imediata da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.

Compromisso dos Estados Unidos de não interferir nos assuntos internos do Irã e de respeitar a soberania da República Islâmica do Irã.

Suspensão total do bloqueio naval dentro de 30 dias.

Compromisso dos EUA de retirar suas forças das proximidades do Irã.

Reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, conforme os critérios definidos pelo Irã.

Suspensão das sanções à venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, além do acesso integral do Irã aos seus recursos financeiros.

Exigência de que os Estados Unidos e seus aliados apresentem planos de reconstrução para o Irã no valor de ao menos US$ 300 bilhões.

Realização de 60 dias de negociações para chegar a um acordo final baseado em questões nucleares e na remoção completa das sanções primárias e secundárias dos EUA, bem como das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Reafirmação do compromisso do Irã, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de não fabricar armas nucleares.

Durante o período de negociações, os EUA se comprometem a não expandir sua presença militar na região nem impor novas sanções.

Liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos congelados ao longo dos 60 dias de negociações finais. Metade do montante deverá ser liberada antes do início das tratativas.

Criação de um mecanismo de supervisão para implementar o acordo.

O acordo final será aprovado por meio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

As negociações finais não terão início antes da liberação de metade dos recursos bloqueados do Irã, da suspensão das sanções ao petróleo iraniano e do fim do bloqueio naval. Além disso, o acordo final tratará exclusivamente do destino do material enriquecido e do enriquecimento nuclear, da suspensão das sanções e do plano de reconstrução econômica do Irã. As discussões sobre o programa de mísseis iraniano e o apoio a grupos da chamada resistência serão removidas definitivamente da pauta.

Nas redes, Trump afirmou: "O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos! Por meio deste, autorizo plenamente a abertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios ou taxas e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!" — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Anúncio do acordo

Autoridades dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão confirmaram neste domingo (14) a conclusão de um pacto de paz, após meses de conflito e negociações diplomáticas.

Em uma postagem na rede social X (antigo Twitter), o primeiro-ministro paquistanês declarou que "ambos os lados anunciaram o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano".

Ainda segundo o premiê, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está agendada para o dia 19 de junho, na Suíça.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também divulgou a informação em uma publicação na rede Truth Social.

"O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!", afirmou Trump.

No texto, ele também determinou a liberação da rota marítima sem a cobrança de pedágios ou taxas e incentivou a retomada do transporte global de combustíveis. O Estreito de Ormuz é uma das vias mais importantes do mundo para o escoamento de petróleo.

"Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", declarou.

O serviço de notícias do Irã (Agência IRNA) também confirmou a informação do acordo de paz, replicando mensagens de Donald Trump e de Shehbaz Sharif.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à TV estatal iraniana que o cessar-fogo entrará em vigor ainda nesta noite. Segundo ele, as negociações para um acordo final durarão 60 dias e devem incluir o fim das sanções ao Irã, mecanismos para a reconstrução do país e formas de monitorar o cumprimento dos compromissos pelas partes envolvidas.

Gharibabadi acrescentou que Teerã responderá em caso de violações do acordo. As informações são da Reuters.

Divergências sobre a assinatura

O presidente americano já havia afirmado que a assinatura do acordo de paz estava marcada para este domingo, em uma postagem na rede social Truth Social neste sábado (13).

Segundo o americano, o Estreito de Ormuz será aberto imediatamente após a assinatura.

Ilustração mostra bandeira dos EUA e do Irã — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

Trump disse esperar que o processo seja conduzido de forma rápida, fácil e tranquila: "Esperamos trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro", afirmou. Ele também declarou que, "no momento apropriado e quando tudo estiver calmo", os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.

Na manhã de sábado (13), o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os EUA e o Irã concordaram com os termos para um acordo de paz que encerraria o conflito de meses no Oriente Médio: "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", publicou Sharif na rede social X, postagem compartilhada por Donald Trump.

Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura de um memorando de paz não ocorreria neste domingo: "Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã".

Donald Trump diz que acordo com Irã será assinado domingo (14) — Foto: Reprodução/Redes sociais

Baghaei disse que a possibilidade da assinatura do memorando de Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dias não pode ser descartada, mas que "deve ser cauteloso" ao fazer qualquer comentário sobre a data da assinatura.

Sharif acrescentou que o Paquistão está agora se preparando para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico nas próximas semanas.

"Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura", publicou Sharif.

Um alto funcionário do governo americano disse à Agência Reuters acreditar que há um "acordo sólido com o Irã".

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Trump critica Irã

Na manhã de sexta (12), o presidente norte-americano chegou a afirmar que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos e criticou o Irã por passar informações a veículos de comunicação. Trump também chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar".

"Com eles, não existe negociação de boa-fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

Horas depois, no entanto, Trump repostou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi. No texto, Araqchi afirma que um acordo entre seu país e os Estados Unidos "nunca esteve tão perto".

"Um homem caminha ao lado de uma maquete simbólica de um míssil iraniano, em uma rua em Teerã. — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Novos ataques

As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo.

A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar.

Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein.

Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico.

O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor "sem sentido".

Presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 10 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evan Vucci

Caminho para o acordo

A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio Trump na quinta-feira (11).

Após anunciar uma terceira noite de ataques e dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, Trump cancelou a ofensiva e afirmou que os negociadores chegaram a um consenso sobre "pontos finais" da proposta de paz.

O presidente norte-americano disse ainda que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana". A assinatura ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump.

Trump disse que o "memorando de entendimento" já foi aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive o líder supremo do país, e que é um ótimo acordo, "pois o Irã jamais terá uma arma nuclear".

Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que o país ainda não aprovou nenhum acordo. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars.

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