
Ataques colocam em risco ruínas históricas no Líbano
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano diminuíram nesta segunda-feira (15) após o anúncio, no fim de semana, de um pacto entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Entretanto, Israel e Hezbollah demonstram sinais de desconfiança. No Líbano, autoridades locais advertiram as pessoas deslocadas para que não retornem apressadamente para suas casas até que Israel retire suas forças posicionadas no sul do Líbano.
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Porém, o governo israelense declarou que não removerá suas tropas da região. Já o Hezbollah afirmou nesta manhã que o Irã adiou a assinatura do acordo — que será firmado apenas na sexta-feira (19) — exatamente para acompanhar o cumprimento do cessar-fogo por Israel no Líbano.
De acordo com fontes do Hezbollah e do governo libanês, que relataram à agência de notícias Reuters:
O Hezbollah não efetuou novos ataques contra alvos israelenses após o anúncio do pacto;
Israel também reduziu consideravelmente suas ofensivas, embora tenham sido registrados alguns disparos de artilharia em cidades do sul do Líbano e ao menos um drone tenha sido ouvido sobrevoando Beirute e seus subúrbios ao sul.
👉 O Líbano, país onde o Hezbollah atua, enfrentou as consequências mais fatais do conflito entre EUA e Irã, com quase 3.800 mortos e cerca de 1,2 milhão de deslocados. A ofensiva israelense na área começou após o Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, abrir fogo contra o território israelense em solidariedade a Teerã, dias depois de EUA e Israel atacarem o solo iraniano, no final de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou em coletiva de imprensa nesta segunda que o respeito à soberania e à integridade territorial do Líbano está incluído no acordo com os Estados Unidos.
Israel afirma que tropas permanecerão
Tropas do Exército israelense atuando no Líbano em foto de 9 de abril de 2026. — Foto: Divulgação/Exército de Israel
No sul do Líbano, conselhos municipais solicitaram aos moradores que adiem o retorno para casa. A Força Aérea de Israel bombardeou intensamente algumas cidades da região nos últimos três meses, e outras mais próximas da fronteira ainda estão ocupadas por forças israelenses.
Mona Mazeh, uma mulher deslocada abrigada no bairro de Hamra, em Beirute, não tinha planos imediatos de voltar à sua vila perto da cidade de Tiro, no sul. "Francamente, estamos hesitantes; não se pode confiar em Israel", afirmou ela.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, cujo país não é signatário do acordo entre os EUA e o Irã, disse que Israel não se retiraria das zonas de segurança no sul do Líbano, em Gaza e na Síria, e que retaliará se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano.
Katz afirmou que a zona de segurança no sul do Líbano seria desocupada de residentes locais e que "toda a infraestrutura terrorista, incluindo casas nas vilas vizinhas", uma referência ao Hezbollah, seria eliminada.
As Forças Armadas israelenses vêm destruindo locais no sul do Líbano há semanas, alegando que estão agindo contra militantes do Hezbollah infiltrados em áreas civis da região predominantemente muçulmana xiita. Centenas de milhares de xiitas libaneses estão se refugiando em outras partes do país.
Em Nabatieh, uma cidade devastada no sul, Mohammed Daqdouq disse que havia retornado na manhã de segunda-feira para verificar sua casa. "Vamos precisar de uma vida inteira para reconstruir — para reconstruí-la novamente e trazer Nabatieh de volta ao que era", afirmou ele.
Bombas de Israel são vistas da praia de cidade histórica de Tiro, no Líbano