
Trump afirma que acordo com Irã será assinado no domingo e promete reabertura do Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o pacto de paz entre os EUA e o Irã está programado para ser assinado neste domingo (14). A declaração foi feita em uma publicação na rede social Truth Social neste sábado (13).
Segundo o líder americano, o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente após a assinatura.
Confira outros elementos do acordo que, conforme Trump, determina o fim do conflito no Oriente Médio e impõe uma barreira definitiva para que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Termos do acordo
Nenhuma das duas partes divulgou oficialmente o conteúdo do novo pacto. Contudo, a imprensa americana e iraniana publicaram alguns pontos com base em informações de fontes dos dois governos.
A emissora CNN Internacional afirmou, fundamentada em fontes do regime iraniano, que o memorando prevê que:
Haja um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano;
O Estreito de Ormuz seja reaberto de imediato. O Irã não cobre taxas das embarcações, e o tráfego local retorne aos níveis anteriores à guerra em 30 dias;
Os EUA também retirem o bloqueio naval que impõem na entrada de Ormuz;
Sanções contra o Irã sejam aliviadas progressivamente;
O Irã se comprometa a não adquirir uma arma nuclear.
A agência de notícias Reuters ouviu de uma fonte do governo americano que o acordo prevê que:
O Estreito de Ormuz será reaberto;
O programa nuclear iraniano será desmantelado;
O Irã não receba dinheiro de seus ativos congelados pelas sanções até que cumpra sua parte no pacto.
Já a imprensa estatal iraniana divulgou nesta sexta-feira (12) que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz e do direito de enriquecer urânio. A agência de notícias iraniana Mehr afirma que o memorando de entendimento deve:
Suspender as sanções dos EUA contra o Irã;
Retirar as forças militares americanas das proximidades do país;
Levantar o bloqueio naval a portos iranianos, com reabertura do Estreito de Ormuz;
Interromper as hostilidades em todas as frentes da guerra, incluindo o Líbano.
Ilustração exibe bandeira dos EUA e do Irã — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Trump disse esperar que o processo seja conduzido de forma rápida, fácil e tranquila: "Esperamos colaborar com o Irã e todo o Oriente Médio no futuro", afirmou. O presidente americano também afirma que, "no momento adequado e quando tudo estiver calmo", os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo.
Na manhã deste sábado (13), o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que os Estados Unidos e o Irã concordaram com os termos para um acordo de paz que encerraria o conflito de meses no Oriente Médio: "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", publicou Sharif na rede social X, postagem que foi compartilhada por Donald Trump, presidente americano.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que a assinatura de um memorando de paz não ocorrerá neste domingo: "Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã".
Donald Trump afirma que acordo com Irã será assinado domingo (14) — Foto: Reprodução/Redes sociais
Baghaei diz que a possibilidade da assinatura do memorando em Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dias não pode ser descartada, mas que "deve ser cauteloso" ao fazer qualquer comentário sobre a data da assinatura.
Sharif acrescentou que o Paquistão está agora se preparando para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico na próxima semana.
"Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura", publicou Sharif.
Um alto funcionário do governo americano disse à Agência Reuters acreditar que há um "acordo sólido com o Irã".
A perspectiva para o fim da guerra ganhou força após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar na quinta (11) que os negociadores chegaram a um consenso. O Irã primeiro afirmou que nada estava fechado ainda, mas mudou de tom horas depois: o chanceler iraniano disse que um acordo de paz "nunca esteve tão próximo".
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Trump critica Irã
Na manhã desta sexta, o presidente americano chegou a afirmar que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa americana são falsos e criticou o Irã por passar informações a veículos de comunicação. Trump também chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar".
"Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Horas depois, no entanto, Trump repostou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi. No texto, Araqchi afirma que um acordo entre seu país e os Estados Unidos "nunca esteve tão perto".
"Um homem caminha ao lado de uma maquete simbólica de um míssil iraniano, em uma rua em Teerã. — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Acordo após bombas
A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio Trump na quinta-feira (11).
Após anunciar uma terceira noite de ataques e afirmar que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, Trump cancelou a ofensiva e disse que os negociadores chegaram a um consenso sobre "pontos finais" da proposta de paz.
O presidente americano disse ainda que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana". A assinatura ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump.
Trump afirmou que o "memorando de entendimento" já foi aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive o líder supremo do país, e que é um ótimo acordo, "pois o Irã jamais terá uma arma nuclear".
Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que o país ainda não aprovou nenhum acordo. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars.
Novos ataques
EUA e Irã retomam ataques no Golfo Pérsico
As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo.
A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar.
Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico.
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor "sem sentido".
Presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 10 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evan Vucci